terça-feira, 15 de junho de 2021

 

O mito da produtividade e a vergonha do descanso sob capitalismo


Na minha opinião, um dos sintomas da alienação é o mito da produtividade e a pressão do nosso sistema para perseguir esse ideal, que nos leva a sentir vergonha e culpa quando não o conseguimos.

No nosso modelo de sociedade capitalista, o ideal que somos ensinados a prioritizar é um de produtividade máxima, em que o nosso valor está associado ao quão produtivos conseguimos ser. Comportamentos de “preguiça” e “procrastinação” são frequentemente desprezados como se fossem o resultado da falta de esforço ou capacidades de alguém. Porém, considero estes comportamentos como algo que, precisamente, é um sintoma da enorme pressão que temos para estar sempre a trabalhar e a atingir objetivos. Claro que, por vezes, é possível alguém se entregar à preguiça apenas por irresponsabilidade individual, mas, muitas das vezes, não será que tal apenas acontece porque o estilo de vida que temos nos faz sentir constantemente cansados e dormentes? Ou a procrastinação, um tema tão discutido atualmente, que pessoalmente vejo como um sintoma de diversas coisas (como insegurança, medo de falhar, peso de pressões sociais, ansiedade, perfecionismo, etc), mas não como um “defeito” ou alguma coisa pela qual se deva sentir culpa/vergonha. Na verdade, acho que é quase inevitável cair nestes padrões de preguiça/procrastinação, quando estamos constantemente a ser forçados a entregar tudo de nós a instituições como o trabalho, a escola, etc.

Penso que estes hábitos de trabalho excessivos são completamente anti-naturais para o ser humano – não é suposto que funcionemos como máquinas, somos seres orgânicos que precisam de estar em contacto com o mundo que os rodeia e consigo mesmos, algo muito dificultado pela mentalidade de empreendorismo em que vivemos. E é exatamente neste ponto que a alienação se manifesta – somos afastados da nossa verdadeira natureza para vivermos e operararmos a um ritmo que simplesmente não é o nosso. Na verdade, somos mesmo ensinados a fazê-lo, ao sermos incentivados desde pequenos a contrariar os nossos instintos e os nossos sentimentos: quando nos sentimos cansados, temos de nos focar, e forçar a dar o “nosso melhor” (se é que isso é possível num estado de constante baixa energia), e enquanto que esta atitude de ignorar o que sentimos e os sinais do nosso corpo é glorificada, há questões preocupantes que são normalizadas, como dormir poucas horas (é raro encontrar-nos com alguém qu durma 7h/8h/9h, o suposto para o ser humano), trabalhar o dia inteiro com poucas pausas e o ano inteiro com poucas férias, fazer horas extraordinárias, diretas de trabalho, etc. O que é que acontece ao nosso tempo de relaxamento e reconexão connosco mesmos? Quando é que é suposto sentarmo-nos com os nossos pensamentos, ou simplesmente não pensarmos em nada e mimarmo-nos, e sentirmos prazer sem nenhuma culpa associada? Mesmo o tempo “livre” é contado e calculado, e nem sequer é vivido plenamente muitas das vezes, por estarmos com a cabeça na tarefa anterior ou na seguinte. Mesmo a filosofia de “mindfulness” que recentemente se popularizou, já foi alvo de acusações de ser usada como um método para, na verdade, nos tornar mais produtivos – ao melhorar o nosso estado, melhoramos a nossa performance.

Porém, não acho, de todo, que este fenómeno seja por acaso. Sob os regimes neo-liberais que vivemos, somos incentivados a seguir estes padrões, de maneiras subtis que nos levam inconscientemente a sentir auto-satisfação e recompensa – levam-nos a glorificar uma atitude de constante esforço e produtividade como algo benéfico para nós, que dita o nosso valor, aquilo que merecemos ter e aquilo que realmente acabamos por ter. Contudo, isto serve apenas para que haja em nós um desejo voluntário de trabalhar mais e assim, produzir mais – é uma arma do sistema para nos transformar em máquinas de produção e labor. Para além disso, se passarmos o dia inteiro na escola/trabalho, chegamos a casa exaustos e procuramos satisfação/descanso fáceis em entretenimentos vazio; não temos tempo para fazer tudo o que precisamos então substituímos isso com a compra (por exemplo encomendamos refeições em vez de cozinhar, compramos comida  em vez de a produzir nas nossas casas, compramos roupa nova em vez de perdermos algum tempo a arranjar peças antigas e estragadas e, no limite, em vez de cuidarmos das nossas casas e da sua limpeza contratamos alguém para o fazer, ou em vez de acompanharmos mais os nossos filhos, recorremos a outros profissionais para tal). Comodificamos a nossa existência porque, ao não termos nem tempo nem energia, não temos opção – e isto alimenta o sistema e cria relações de dependência entre o individuo e o sistema, que passam a alimentar-se um ao outro. Quando passamos a nossa vida a trabalhar, desrespeitamos os nossos ritmos naturais, esquecemo-nos de existir como seres humanos e negligenciamos as nossas tendências/talentos, como a criatividade, a empatia e relação com o próximo, a imaginação, o idealismo, o desejo de mudança – ficamos presos numa hamster wheel ao invés de evoluirmos para uma versão mais conectada e evoluída de nós mesmos, enquanto indivíduos e espécie.

É por isso que acho que é fundamental reavaliarmos os nossos valores e as nossas prioridades, e a pressão que exercemos em nós mesmos e nos outros. Acredito que toda a mudança política começa pela mudança interior/individual, e por isso é que acho tão importante desconstruirmos este ideal de produtividade que nos foi imposto, e libertarmo-nos da culpa e vergonha que costumamos sentir quando precisamos de parar, de descansar, de nos dedicar a coisas que nos tragam prazer e um senso de propósito maior.

Opiniões preconcebidas!?

Em que é que baseamos as opiniões que temos?

Como vamos definir algo que nunca experienciámos?

Estas são duas das questões que faço várias vezes a mim mesmo, às quais tento arranjar uma resposta lógica.

Depois de passar por estas inquietações várias vezes, chego à conclusão de que a opinião que formamos em geral advém da experiência e da vivência que temos. No entanto, existe um fator que influencia em grande parte a nossa opinião, que é a sociedade. A opinião geral da sociedade em relação aos temas que apresentamos menos conhecimento tem um grande impacto na primeira experiência com esses mesmos temas, podendo formar uma opinião preconcebida.

Numa primeira experiência, a forma como nos é apresentada determinada informação, faz a diferença! Ou seja, esta informação influencia a maneira como vamos encarar a experiência quando realmente a vivenciarmos. Por exemplo, se não conhecermos uma pessoa e esta nos for apresentada como arrogante e antipática, o nosso primeiro instinto é não falar ou interagir com esta. Isto que pode ser um erro! Por outro lado, se essa pessoa tiver uma boa apreciação perante a sociedade, o nosso instinto será o oposto.

Apesar da opinião da sociedade e da informação prévia que temos, cada pessoa é livre de tomar as suas próprias decisões e escolher o que deve ou não fazer, isto é, construir as suas próprias conclusões. Desta forma, a informação que temos previamente e/ou testemunhos que podemos recolher é um fator determinante e bastante importante. Se por um lado permite ter uma noção do que poderá acontecer e como poderemos reagir a isso, por outro conseguimos aprender com o erro dos outros.

segunda-feira, 14 de junho de 2021

Toda a gente sabe falar, mas comunicar diretamente é outra história

 

A linguagem, seja em que forma é utilizada, é essencial para comunicar informações, expressar ideias, faz parte da nossa forma de interação, de compreensão. Nem toda a gente consegue falar no sentido estrito de se expressar verbalmente, no entanto, existem alternativas de comunicação, isto porque criámos tantos símbolos que podemos escolher uns quantos e arranjá-los de forma a criar um sistema complexo em que atribuímos um valor a outro e é possível comunicarmo-nos dessa forma, chega a ser fascinante.

Um fenómeno igualmente fascinante para mim é como toda a gente sabe falar, no sentido de se expressar por estes símbolos, mas nem toda a gente se sabe comunicar. Todos nós de forma ou outra sabemos que estes símbolos existem, e constantemente tiramos proveito deles e fazemos um puzzle para podermos ter conversas, discussões e todo o tipo de interações que experienciamos diária e frequentemente. Mas será que sabemos usar esses símbolos para comunicar aquilo que realmente queremos dizer, o que realmente importa quando importa, as nossas necessidades, o que queremos de alguém, o que não queremos de alguém? É aí que no meu entendimento, a linguagem ganha uma complexidade absurda além do seu próprio universo, expandindo para outro, mas não me admira já que o ser humano que criou estes símbolos é igualmente complexo e as condições sociais, culturais e emocionais que lhe são associadas são o universo a que se junta.

Misunderstanding é uma palavra que gosto bastante, ou no sistema linguístico no qual escrevo de momento, mal entendido, parece acontecer com alguma frequência pelas mais variadas razões. Ocorre-me demasiados exemplos de situações em que palavras não chegam sequer a desenrolar da língua por medo, inconveniência, vergonha, medo, receio, censura e afins. Ou aquelas circunstâncias em que algo é proferido com uma fluidez perigosa, palavras imediatamente livres sem sequer passarem pelo processo ou filtro de saber se eram essas as palavras certas. Em nenhum destes exemplos normalmente passa a informação que realmente precisa de ser transmitida. E quando não é absolutamente proferido nada porque a pessoa está sem palavras? Muito menos.

Como se não fosse o suficiente, para adicionar à pilha de complexidade, a linguagem é também aprisionada numa vertente pessoal e cria imensos mini “dialetos”…acho que ficamos por aqui e é melhor não tocar sequer em como várias linguagens podem operar simultaneamente e complementar-se ou criar outro dilema ao contradizer-se (nomeadamente linguagem expressa acompanhada de linguagem corporal), voltemos ao que eu considero estes mini “dialetos”. Apesar da linguagem continuar a ser geral mesmo após ser condicionada, cada um acaba por criar a sua própria linguagem dependendo de como ela é ensinada e aprende a comunicar-se. Difere através da cultura, a forma como somos permitidos ou não expressar as nossas necessidades, sentimentos, a relevância ou não de sermos ouvidos, se temos espaço para nos expressar inclusive. As possibilidades e combinações destas são extensas, o que acontece então quando o nosso dialeto se depara com o dialeto formado por alguém que teve uma experiência completamente diferente?

Muitas vezes, conflito. Misunderstanding. A diferença da linguagem é notável a partir do momento em que temos alguém para a receber e interpretar através do seu próprio sistema criado pela experiência pessoal, inerentemente com algumas variações do nosso. Quem nunca achou que alguém era um tanto idiota ou surpreendentemente pouco observador pois não captou algo que pensámos ou sentimos que era óbvio e claramente não precisava de palavras ou uma explicação que atire a primeira pedra. O problema aqui é simplesmente falta de comunicação direta.

Daí a afirmar que fascinantemente, a linguagem é algo absurdamente complexo e que muitos de nós facilmente a sabem usar, mas nem tanto realmente a sabemos compreender. Falar é fácil, comunicar as nossas ideias de forma aberta e direta de forma a expressar as nossas necessidades e criar as nossas próprias limitações, nem tanto.  Muitos de nós nem se apercebem que muitas vezes estamos a usar linguagens diferentes apesar de não parecer, seja nas nossas relações românticas ou platónicas, não há exceções.

No entanto talvez me esteja a focar demasiado nos pormenores, aliás, é uma linguagem geral o suficiente para carregar todas as nossas interações durante vinte e quatro horas por dia de forma mútua e bastante compreendida, mesmo com os conflitos que vão aparecendo pelo caminho. A partir do momento em que entendemos estas nuances, variações de linguagem, podemos adicioná-la também à nossa linguagem, podemos aprender, desaprender, reaprender e até encontrar chão comum entre estes mini “dialetos” e comunicar de forma mais direta, já que a linguagem está também em constante mudança e reforma, tão complexa como os seus criadores.

 

P.S. Se alguma das minhas ideias parecer pouco clara ou confusa, peço desculpa, admito que também estou no processo de me tentar comunicar melhor.

2ª corrida espacial e o futuro da humanidade

No século passado, como sabemos, houve uma grande concorrência entre os Estados Unidos e a União Soviética na corrida espacial. Grandes acontecimentos tomaram lugar nessa altura, sendo o principal astronautas terem pela primeira vez pisado o solo lunar. Esta altura ficou também marcada por um dos acontecimentos mais bonitos de que tenho conhecimento. Em 1973 a missão Apollo - Soyuz foi a primeira missão tripulada internacional. Nesta missão, as 2 grandes potências no meio da Guerra Fria realizaram um rendez-vous em órbita (quando 2 naves se encontram no espaço para troca de carga, tripulação, etc.). Este acontecimento ficou conhecido aliás, como um aperto de mão em órbita e considera-se que marca o fim da corrida espacial.
Desde essa altura a indústria espacial esteve um pouco estagnada. Tivémos alguns marcos importantes sim, tais como algumas estações espaciais de vários países, sendo a principal a ISS (International Space Station), com módulos da NASA, ESA, JAXA e Roscosmos. Esta estação simboliza os avanços de que a humanidade pode beneficiar quando trabalha em conjunto. Conseguimos também entretanto enviar sondas e rovers para Marte. Mais umas quantas sondas para outros planetas, enfim, no fundo nestas últimas décadas apenas andámos a apalpar terreno para o que aí vem.
A próxima corrida espacial está agora a começar. Empresas privadas são agora as grandes apostas para o sucesso. As agências governamentais, principalmente a NASA, atribuem contratos bilionários a empresas como SpaceX, Lockheed Martin, Blue Origin, Rocket Lab, Airbus, entre muitas outras. O objetivo é, ainda esta década, colocar a humanidade de novo na Lua, e criar lá uma base de auxílio para a exploração de outros planetas. Nesta segunda corrida espacial temos não só empresas privadas, como também mais países a participar. O progresso tem sido enorme nos últimos anos.
Tomando a SpaceX como exemplo irrepreensível de progresso, nesta década conseguiram criar um foguete reutilizável que aterra sozinho (com excepção do segundo estágio), e nele, a partir de 2020, lançar de novo astronautas para a ISS a partir do solo americano com uma cápsula própria (algo que não acontecia desde que acabou o programa do Space Shuttle). Estão também a criar uma rede de satélites focada em fornecer internet rápida a áreas remotas (Starlink), que em fase beta já fornece resultados muito promissores (mesmo sem estar completa). Esta rede de satélites de baixa órbita será constituída de milhares de satélites que comunicam entre si. Neste momento trabalham também numa nova nave, completamente inovadora que a cada teste prova o que muitos achavam ser impossível. Esta nave chamada Starship, consiste em 2 partes, o propulsor de 70 metros (Super Heavy Booster) e a nave principal de 50 metros (homónima - Starship) com uma capacidade de carga nunca antes vista. Esta configuração chegaria para elevar 2 foguetões Saturn V à órbita terrestre.
O meu interesse nesta nave em específico, vem do facto de mesmo sendo a maior já alguma vez construída com 120 metros de altura no total e 9 metros de diâmetro, será a nave mais barata alguma vez feita e a mais barata para voar. Poderá ser usada para transporte de pessoas e carga dum lado ao outro do planeta em menos de 1 hora. Fará viagens à ISS, à Lua, a Marte e futuramente a outros corpos celestes. 
Algo muito interessante também, é a forma como a SpaceX lida com a atenção pública. Em vez de fazerem como todas as outras empresas e agências, e esconderem tudo atrás de grandes edifícios e vedações onde constroem as naves e só as vemos quando estão acabadas, a empresa do Elon Musk faz tudo aberto a qualquer um para ver. Na vila de Boca Chica, em Texas, perto do Golfo do méxico várias pessoas na internet interessadas no seu progresso, montaram câmaras que transmitem 24 horas por dia o progresso da construção dos vários protótipos nas suas tendas temporárias, e das bases de lançamento onde já 4 naves tiveram um fim catastrófico (RUD - Rapid Unscheduled Disassembly) e apenas 1 sobreviveu (SN15) à data deste post.
Poderia continuar aqui mostrar o meu fascínio por esta nave e outras até, mas o meu objetivo com esta publicação é refletir no futuro da exploração espacial e o que trará à humanidade. O que a SpaceX está a fazer ao permitir que o público se sinta envolvido em todo o processo, é atrair atenção para si mesma e motivar-nos a exigir dos nossos governantes que vão mais além.
Mas o que acontecerá quando já tivermos montadas bases na Lua, em Marte e em órbitas ou até mesmo noutros planetas? Será o espaço um destino reservado apenas aos mais ricos? Qual será o escrutínio para decidir quem poderá ou não colonizar outros corpos celestes?
Ao falar disto com algumas pessoas, o que tenho percebido é que há uma preocupação geral, um medo até talvez, que os ricos sairão todos da Terra apenas para viver em ambientes artificiais, controlados de forma a satisfazer todas as suas necessidades. Se isso acontecer, irão os ricos olhar para quem continua na Terra como uns escravos que lá ficaram no meio da poluição a continuar a extrair recursos naturais para o seu exclusivo usufruto?
Esta segunda corrida espacial não traz somente avanços científicos. O turismo espacial está também em desenvolvimento, com empresas como Virgin Galactic e a Blue Origin com a sua nave New Shepard, destinada a lançar o CEO da empresa (Jeff Bezos) e outros passageiros ainda este ano de 2021. Havendo tantas empresas a apostar nesta indústria, a vender lugares tão caros nas suas naves, é fácil entender as preocupações de quem acha que a exploração espacial só trará distanciamento entre os seres humanos. Para além disso há quem esteja extremamente preocupado com o lixo espacial que isso trará.
Para além dos ricos haverá alguma distinção entre ocupações, isto é, será que desde artistas a cientistas todos terão oportunidades iguais, ou apenas pessoas da ciência serão vistas como essenciais?
Sendo eu um grande adepto da ideia da exploração espacial, não consigo tirar uma conclusão imparcial destas preocupações. Na minha opinião apenas nos reserva esperar para ver e entretanto lutar para que se continue a regular o acesso ao espaço de forma justa.

Este texto foi escrito com base em informação que eu sei, como referi, por acompanhar muito de perto a indústria da exploração espacial. Por esta razão não tenho bibliografia, mas aconselho vivamente a quem esteja interessado, pesquisar e aprofundar o seu conhecimento neste mundo magnífico de engenharia e ciência.

"Tudo o que nos irrita nos outros pode nos levar a uma melhor compreensão de nós mesmos"

Foi há umas semanas que li uma frase que me intrigou: "Tudo o que nos irrita nos outros pode nos levar a uma melhor compreensão de nós mesmos." Esta frase de Carl Jung fez-me inesperadamente refletir sobre uma das aulas que tivemos.

Como humanos, somos muito bons a culpar os outros pelo nosso desconforto ou descontentamento. Às vezes justificado - todos cometem erros. Alternativamente, também somos adeptos de atribuir os nossos desejos e necessidades aos outros - podemos admirar tanto quanto depreciar.  Mas, e se entendêssemos que tudo o que vemos, tudo que tocamos e tudo que vivenciamos é uma projeção? 

Seja uma pessoa, um lugar ou algo, parece que temos sempre uma opinião. Esta vem da nossa mente, mais precisamente da parte da memória. Pensamos no que nos foi dito, no que aprendemos, como fomos condicionados. Toda a sociedade condiciona-nos desde bebés, a classificar o mundo e os seus elementos como objetos definitivos.

É dito que uma vez que se classifica um pássaro como um pássaro, nós paramos de vê-lo por si mesmo. Isto é, uma vez que classificamos o que vemos, paramos de ver como era e vemos como o que pensamos que é. Então, se nunca soubéssemos a classificação de pássaro, o que veríamos? Talvez o movimento, a cor, a graça, o que também são claramente rótulos de linguagem, mas são menos definitivos; em termos mais simples, nós veríamos vida. A vida em movimento é um feixe de átomos. Nós é que trazemos o universo inteiro à existência, por meio dos nossos sentidos. Incluindo nós mesmos. Somos feitos pela mente.

Aprendemos quem somos ao espelharmos os outros, aprendemos os papéis que desempenhamos nesse campo e as muitas máscaras que usamos. Mas quando estamos a dormir ou de olhos fechados, o universo inteiro parece que dissolve. Como o velho enigma: se uma árvore cai na floresta e ninguém está perto para ouvir, será que faz um som? Precisamos de um tímpano para que uma vibração seja percebida como um ruído. Da mesma forma, precisamos de um cérebro para perceber a luz que passa pela retina como um "algo". 

É necessário conhecer o rótulo de mesa, por exemplo, para perceber o conceito de da madeira, montada como uma tábua plana com pés para formar uma mesa. Então, quando retiramos as classificações do cosmos: árvores, planetas, pássaros, rochas, humanos, estrelas e assim por diante, não sabemos o que estamos a ver. É o nosso cérebro que converte luz em imagens. Portanto, nada é o que parece. Tudo é como somos. O mundo inteiro é feito de perceções.

Então, retornando à frase inicial, o que vemos nos outros é frequentemente o que vemos em nós mesmos. E o que nos irrita nas pessoas é o que não gostamos em nós mesmos. O que nós julgamos em alguém, estamos a julgar a nós mesmos.

Portanto, o que nós percebemos e o que nos irrita nos outros pode-nos ensinar coisas importantes sobre nós próprios. Coisas das quais podíamos não estar cientes. Repetindo o que foi dito anteriormente, as pessoas podem ser como um espelho. Um espelho que pode ajudar-nos a aprender mais sobre nós, o que nós temos medo e como potencialmente nos estamos a enganar.

domingo, 13 de junho de 2021

Perfect blue e sua desordem psicológica

 

Perfect blue e sua desordem psicológica

 

Perfect blue é uma obra de culto do cinema de animação asiática dos anos 90, Foi criada pelo já póstumo realizador e escritor Satoshi Kon em 1997, até hoje o filme continua como objeto de debate ao saber qual é o seu verdadeiro final, tem uma trama muito complexa, sendo um dos  thrillers psicológicos mais incompreendidos dos anos 90.

Agora, o que somos responsáveis neste trabalho é a análise das personagens e as doenças mentais deles, porque, este filme tem muitos elementos fantásticos, mas que se adaptam às realidades de muitos artistas ou celebridades das indústrias cinematográfica e musical.

Esta história conta-nos sobre uma rapariga chamada Mima Kirigoe,que é uma ex-cantora pop-idol da banda cham e decide aventurar-se no mundo do cinema e do entretenimento, ao longo do filme, vamos ver como a protagonista tem de lidar com uma série de assassinatos e eventos que estão relacionados com ela, que no final foram todos planeados pelo seu empresário Rumi e pelo seu admirador e fã Me-Mania.  

 Na análise psicológica do filme, temos que Mima sofre de uma série de doenças ou traumas que a ajudam a descobrir a si mesma, no seu caso, o distúrbio da despersonalização que, segundo DavidSpiegel, um médico da Faculdade de Medicina da Universidade de Stanford  como:

"é um tipo de desordem dissociativa que consiste em sentimentos persistentes ou recorrentes de estar separado (dissociado) do próprio corpo ou processos mentais, geralmente com a sensação de ser um observador externo (despersonalização) da vida de alguém ou de estar separado do próprio ambiente (desrealização)."

Fazer o protagonista parecer um terceiro na sua própria vida e questionar se a sua decisão de se aventurar no mundo do cinema e do estrelato não estava inteiramente certa. Veremos como Rumi gradualmente perde o rasto da realidade, questionando se o que está a viver é um sonho ou simplesmente realidade.

Rumi, a sua empresária, sofre de distúrbio de despersonalização, uma desordem que a leva a personificar Mima, chegando ao ponto em que pensa em si mesma como a verdadeira e tenta eliminá-la. Tudo isto por traumas do seu passado e do seu caminho frustrado pelo mundo de Ídolos e J-pop,  ela viu-se em Mima, atingindo um extremo de querer ser ela a remediar a sua decisão com a separação do grupo Cham.

Finalmente,temos Me-Mania,que sofre de uma desordem dissociativa que se refere a pensamentos, ações e memórias ou mesmo a sua própria identidade são patologicamente desligadas da realidade,isso pode ser visto quando ele ouve Mima falar com ele e dizer-lhe para fazer as suas ações no desenvolvimento do filme; ações que no final foram influenciadas por Rumi o gerente do ex-cantor.

Este filme incompreendido não está longe da realidade, temos, por exemplo, a morte de John Lennon a 8 de dezembro de 1980,justificando que foi tudo por amor ou casos mais recentes o assédio de Miley Cyrus causado por Jason Luis Rivera,um fã que se viu à porta de sua casa com uma tesoura e que afirmou ser "marido" da cantora durante mais de 5 anos.

Este filme faz-nos entender de uma forma muito gráfica e grotesca, que o mundo de Hollywood e o espetáculo estão cheios de problemas e da difícil vida liderada por artistas que se aventuram neste meio, mas que, no final, tens sempre de seguir os teus princípios para atingires os teus objetivos, como pode ser o caso de filmes e séries como Black Swam ou Bojack Horseman.  

bibliografia:

https://aminoapps.com/c/anime-es/page/blog/hablando-de-la-psicologia-en-perfect-blue/bNec_ou0E8ZG88ELmMZEM37GWkpEoaB

https://es.wikipedia.org/wiki/Asesinato_de_John_Lennon

https://culturacolectiva.com/entretenimiento/famosos-acosados-por-fans

https://shanafilms.com/2017/09/10/perfect-blue-y-la-perdida-de-identidad/

https://www.merckmanuals.com/es-us/professional/trastornos-psiqui%C3%A1tricos/disorders-dissociatives/disorder-depersonalization%C3%B3n-desrealizaci%C3%B3n

 

 

sábado, 12 de junho de 2021

Se hoje o dia está de sol porque é que hoje eu estou tão cinzenta?

             Hoje o dia está bonito, as nuvens são poucas e cobrem o céu azul iluminado pelo sol. 

Tenho a roupa estendida e não consigo ver o que está para além dela, mas sei que são os prédios dos meus vizinhos da frente.

A minha mãe está a chorar devastada na cozinha porque hoje possivelmente será o último dia que ela irá ver a sua irmã.

Já me levantei e fui comprar-lhe lenços a uma loja de conveniência aqui perto, e aqui estou, sentada à frente do meu computador coberto com um véu de pó pois não tenho motivação para limpar nem arrumar o quarto.

A definição de difícil às vezes é difícil de usar em certas situações. Podia explicar que estou a passar por uma situação difícil, mas se é difícil significa que se consegue ultrapassar, e por vezes parece que nem se quer é algo que tenho que ultrapassar e tenho que me habituar.

A vida não é uma montanha-russa, porque as montanhas russas tem várias voltas, rodopios, altos e baixos e isso parece-me demasiado divertido para ser algo tão sério. A vida, pelo menos neste momento, é uma viagem de trotinete na calçada lisboeta da baixa chiado. Quem tem o talento de andar de trotinete parece algo fácil de executar. Quem não tem essa aptidão, volta e meia, cai abruptamente no chão.

Realmente quem disse que a vida é o que quisermos fazer dela tem bastante razão, mas às vezes por uma questão de sorte ou azar, parece que acontecem coisas que nos põem à prova.

Como é suposto eu me sentir depois de me apresentarem um leque de coisas negativas que estão a acontecer à minha volta e comigo mesma? Não sei como é que é suposto lidar com isso, nem sequer sei bem o que é negativo ou positivo a este ponto. 

Neste momento sinto que o meu cérebro está coberto de uma nuvem negra que não me permite ver muitas coisas à frente, ou como se tivesse um cadeado na cabeça. 

Sinto que tudo ao qual estou a lutar neste momento não faz sentido, todo o esforço que estou a pôr nos estudos e todas as horas trabalhadas num trabalho explorador e que paga pouco é irrelevante.

Às vezes as coisas não precisam de ter um sentido, nem tudo tem que ser “obra do destino”, e o pior é que essa informação é tão difícil de dirigir, como se fosse um analgésico que não entra à primeira. 

Gostava de ser uma pessoa religiosa. 

Talvez se fosse religiosa agarrava-me à minha fé em Deus, acendia uma vela e rezava ao meu crucifixo, ia à igreja e falava com um padre sobre os meus problemas. Ele provavelmente diria-me que Deus está a reservar-me algo de muito bom e era só esperar e continuar a rezar que iria ficar tudo bem. 

Depois de esperar e rezar muitos “Avés Marias”, talvez quando as coisas melhorassem, podia acreditar que foi obra divina e agradecer a Deus por tudo aquilo que me deu e por melhorar a minha vida.

Mas infelizmente, algo no meu cérebro e no meu coração, diz que não é a Deus que tenho que agradecer mas sim a mim mesma, porque eu sou a pessoa que melhor me conheço, e tenho a certeza que eu existo e que eu me esforço pelas minhas coisas.

Hoje o dia está bonito, as nuvens já não cobrem o céu que está azul e iluminado pelo sol. 

Se hoje o dia está de sol porque é que hoje eu estou tão cinzenta?

n.de aluno13515

quarta-feira, 9 de junho de 2021

Não sei, sempre foi assim

O mundo funciona de uma forma.

Desde que nascemos, coisa que não podemos recusar, vivemos neste mundo e aceitamos a maneira como ele funciona. Uns aceitam mais, outros aceitam menos, mas a grande maioria não tem grande escolha senão aceitar a essência do funcionamento do mundo.

Temos os fenómenos da natureza, o dia e a noite, a passagem do tempo, as necessidades fisiológicas de cada um... são coisas que não dependem de decisões humanas, logo faz sentido aceitá-las como são e adaptar-nos a elas, e decidimos então moldar a nossa maneira de viver à sua ocorrência. Mesmo assim, por vezes, é difícil aceitá-las também apesar da nossa verdadeira impotência perante elas. 

Mas temos outro conjunto de leis que nos são impostas pelo mundo, não necessariamente pela natureza mas pela organização civilizacional que se desenvolve ao longo dos tempos simultaneamente por todos mas diretamente por ninguém (que eu conheça, pelo menos). Entre elas temos o dinheiro, temos os negócios, temos o trabalho, o sistema escolar e académico, os horários e a forma como a vida se vive de forma acelerada para acomodar tudo isto que se decidiu que se tinha que fazer. Tudo coisas que sabemos que têm grandes falhas, que prejudicam grandes grupos de pessoas, que ocupam as nossas curtas vidas de stress e infelicidade e morte, que existe a plena possibilidade de se alterarem, mas que por algum motivo grandioso não se mudam. 

Existiu para mim um momento em que me apercebi que este segundo conjunto de leis pelas quais nos dirigimos não são leis fixas do universo, sendo que vivi os primeiros anos da minha vida com a ideia de que tudo tinha que ser assim porque era assim. Não sei, provavelmente é uma experiência comum pelos quais todos passamos, mas como tive vários desbloqueios deste género que me causaram bastante ansiedade no meu processo de crescimento, penso bastante nesses momentos em que um interruptor dentro de mim se acendeu e ganhei um novo nível de consciência. 

Tudo isto para chegar à ideia de que sinto que a minha geração, a tão discutida e alegadamente sensível GenZ, sente um grande desespero e angústia perante estas leis que ditam a nossa vida. E claro, é possível alegar que todas as gerações jovens de cada época sentiram estas angústias e quiseram lutar. Mas, a meu ver, a maneira como fomos a primeira geração a crescer ligados à internet e à infinita informação que esta contém condicionou-nos a sentir mais profundamente sobre estes assuntos. Através de memes, de posts ou de vídeos de poucos segundos, é cada vez mais difícil ignorar as informações que nos são dadas acerca do mundo, de como uma série de desconhecidos se sentem, de como um conjunto de pessoas foi afetada por algo que aconteceu. É cada vez mais difícil aceitar uma vida que perpetua o mau-estar de tanta gente e é cada vez mais difícil aceitar comportamentos que ignoram a existência de informação, precisamente porque esta está tão disponível.

Cada vez fica mais insuportável lidar com o futuro que nos espera e aceitar cegamente que as coisas são assim porque têm que ser assim. Porque sabemos que não tem que ser assim. Mas como é que pode ser? Não sei, sempre foi assim. 

Sobre o vazio

O vazio, a pausa, o espaço em branco é fundamental como oposição ao preenchimento. É, por exemplo, praticamente impossível retirar significado de cada objeto numa sala em que estes estejam completamente amontoados e dispostos aleatoriamente - numa sala em que não haja espaço vazio, espaço esse que permitiria interpretar esses objetos individualmente -. O mesmo poderemos observar com a música: uma música sem pausas - espaços vazios - seria apenas um conjunto de notas sem significado, não seria música, como a conhecemos, seria apenas um barulho contínuo que por ser contínuo poderia tornar-se no próprio silêncio. O preenchimento ganha então significado com o vazio. 

"Even if we don’t realize it, we often have to come to terms with the mystery of emptiness. When we listen to music and understand the importance of the rests, the moments of silence. When we design an object and measure the breadth of the gestures of those who will use it. When we read a book and immerse ourselves in the harmony of the empty space that surrounds the text. (...)"  - (TRIMARCHI, Mario (2020), In Praise of Emptiness)

Apesar da grande importância que o vazio possui, vivemos numa sociedade moderna ocidental em que possuir, pelo objetivo de acumulação ou de elevação social, tem uma enorme relevância. A importância do espaço vazio, neste contexto, dilui-se, deixando mesmo de ter "espaço": o espaço vazio é algo que não está acabado, que precisa de alguma coisa, que está incompleto. O vazio não é visto, então, como algo a estimar ou valorizar, é visto como algo a preencher. O preenchimento sobrepõem-se ao vazio. As coisas sobrepõem-se ao nada. 

Este vício de possuir e de preencher, intrínseco à sociedade ocidental, vem de mãos dadas ao capitalismo e consequentemente ao marketing e à publicidade. Comprar um certo objeto vem associado a determinados sentimentos e estilos de vida. Um objeto nunca é comprado apenas por aquilo que ele é, mas sim, sempre em comunhão com aquilo que ele significa ou poderá significar - que tem haver com uma narrativa criada à volta desse objeto.

“A montra, o anúncio publicitário, a firma, a produtora e a marca, que desempenha aqui papel essencial, impõe a visão coerente, coletiva, de uma espécie de totalidade quase indissociável, de cadeia que deixa aparecer como série organizada de objetos simples e se manifesta como encadeamento de significantes, na medida em que se significam um ao outro como super-objeto mais complexo e arrastado o consumidor para uma série de motivações mais complexas." - (BAUDRILLARD, Jean (1995), A sociedade de consumo, pág. 17)

“Consumimos o real por antecipação ou retrospectivamente, de qualquer maneira, à distância, distância esta que é a do signo.” - (BAUDRILLARD, Jean (1995), A sociedade de consumo, pág. 22)

“É o seguinte o princípio da análise: nunca se consome o objeto em si (...) os objetos (...) manipulam-se sempre como signos que distinguem o indivíduo , quer filiando-o no próprio grupo tomado como referência ideal quer demarcando.o do respetivo grupo por referência a um grupo de estatuto superior” - (BAUDRILLARD, Jean (1995), A sociedade de consumo, pág. 60)
 
Em oposição a esta lógica de consumo na sociedade ocidental, a cultura Japonesa dá uma grande relevância ao vazio. O espaço que existe entre as coisas tem a mesma ou até mais importância que a própria coisa. Ma é um termo japonês que se refere precisamente ao espaço negativo – ao espaço que existe entre as coisas. Aliado a essa apreciação pelo vazio vem uma adoração pelas sombras. As sombras são de uma grande importância na cultura japonesa - as sombras de uma coisa têm tanta importância como a própria coisa, como tal, o espaço vazio tanto apreciado na cultura japonesa é preenchido também pelas sombras. 

“The Japanese culture of living tells us about the special focus on the ma, a word that indicates the empty space between two objects. Indeed, objects feel better when there is an exact space between them, that gap that allows their shadows never to touch.” (TRIMARCHI, Mario (2020), In Praise of Emptiness)

“For the beauty of the alcove is not the work of some clever device. An empty space is marked off with plain wood and plain walls, so that the light drawn into it forms dim shadows within emptiness”.  – (TANIZAKI, Junichiro (1977), In Praise of Shadows, pág. 20)

"(...) The Japanese are the ones who created the very minimal garden. They think that an empty garden is more likely to be enjoyed by people because it’s empty. So people who see the garden see themselves in this empty space and they are able to create their own story in this space." - (ANNETA, Suzi, In Praise of Emptiness: A Conversation with Kenya Hara)


Consequentemente, devido à grande relevância que o espaço vazio possui no Japão, cada objeto existente tem uma apreciação e importância acrescida. Enquanto os objetos na cultura ocidental ganham significados consoante conceitos criados artificialmente por uma sociedade consumista e capitalista, que por isso, podem ir variando, os objetos na cultura Japonesa ganham significados imediatos associados diretamente ao espaço em que se encontram - associados ao espaço que existe entre esse e o o objeto mais próximo, associados à luz e à sombra. O objeto ganha importância dentro de um contexto de arquitetura e de relação com a luz e sombra. 

“À nossa volta, existe hoje uma espécie de evidência fantástica do consumo e da abundância, criada pela multiplicação dos objetos. (...) os homens da opulência não se encontram rodeados, como sempre acontecera, por outros homens, mas mais por objetos.” – (BAUDRILLARD, Jean (1995), A sociedade de consumo, pág. 15) 
 

Como tal, essa apreciação e valorização dos objetos, leva a que, no Japão, quando os objetos principalmente de cerâmica se partem ou ficam lascados, em vez de serem substituídos por objetos novos, são retocados. Esse "defeito", que o objeto passa a ter, é valorizado e até acentuado. Por outro lado, no ocidente existe uma substituição rápida desses mesmos objetos - pratos e copos lascados, por exemplo, são rapidamente substituídos - (os objetos não têm associado um significado sentimental e único). 

“Para os japoneses uma taça ou uma jarra pode tornar-se mais bonita depois de partida e reparada. Tanto que têm uma tradição dedicada ao restauro de cerâmica, o kintsugi. O objetivo não é devolver o objeto ao seu estado imaculado - pelo contrário: as fissuras são realçadas com uma mistura de laque e ouro em pó. (...)" (MOURA, Catarina Lamelas (2019), Kintsugi e Wabi Sabi: a perfeita imperfeição dos japoneses)

“Lacquerware decorated in gold is not something to be seen in a brilliant light, to be taken in at a single glance; it should be left in the dark, a part here and a part there picked up by a faint light” – (TANIZAKI, Junichiro (1977), In Praise of Shadows, pág. 14)

Assim, no Japão, os objetos, ganham uma grande relevância principalmente devido ao vazio que possuem à sua volta, este vazio faz com que estes possam ser devidamente apreciados, faz com que estes se tornem realmente algo único e especial, digno de serem mantidos e retocados, e que vivem diretamente em comunhão com o espaço envolvente e não em comunhão com significados atribuídos por uma determinada marca ou campanha publicitária. 

Bibliografia

ANNETA, Suzi, In Praise of Emptiness: A Conversation with Kenya Hara, Disponível em: https://design-anthology.com/story/kenya-hara-conversation, data de consulta: 04-06-2021

BAUDRILLARD, Jean (1995), A sociedade de consumo, Lisboa: Edições 70

MOURA, Catarina Lamelas (2019), Kintsugi e Wabi Sabi: a perfeita imperfeição dos japoneses, Disponível em: https://www.publico.pt/2019/02/21/impar/noticia/kitsungi-wabi-sabi-conceitos-japoneses-aceitar-imperfeicao-1862448, data de consulta: 03-06-2021

TANIZAKI, Junichiro (1977), In Praise of Shadows, United States of America: Leete's Island Books

TRIMARCHI, Mario (2020), In Praise of Emptiness, Disponível em: https://www.internimagazine.com/features/opinions/mario-trimarchi-empty/, data de consulta: 03-06-2021



terça-feira, 8 de junho de 2021

Anarquismo, comunismo e o poder do povo

O anarquismo, uma ideologia que normalmente é considerado violenta e inconsistente, tornou-se recentemente numa ideologia popular entre jovens norte americanos, especialmente entre grupos marginalizados.

Anarquismo significa “sem líder” do sufixo grego an- ("sem") da palavra arkhos ("líder"). Com isto, é estereotipadamente pensado como caótico e rebelde, uma distopia sem ordem quando, na verdade, é somente uma crença de que qualquer forma de hierarquia é descnecessário e prejudicial para uma sociedade. A ideologia foi sempre presente ao longo da História mas o termo só surgiu no início do século XIX como resposta à Revolução Industrial, ao surgimento do estado-nação moderno, ao surgimento do socialismo e ao aumento do capitalismo. Era um termo muito fléxivel e tinha muitos sinónimos dentro da sua associação, denominada “International”, fundada em 1864, mas os membros partilhavam a mesma ideologia entre si. Só a partir de 1880 foi possível descrever o anarquismo como um movimento social que afetou a sociedade de uma forma mundial. Este movimento começou na Espanha, Itália e Suécia, mais tarde espalhado pelo resto do mundo através de redes transnacionais e fluxos migratórios. Obteve o seu apogeu no início do séc. XX, movendo milhões de trabalhadores e ressurge nos anos 90 numa geração moderna. Acredito que isto deve-se ao aumento de consumismo e agravação do capitalismo que ainda hoje permanece. E a razão pelo qual está normalmente associada a caos é através de propaganda criada por membros em alta classe e de poder; é claro que estes talvez sintam alguma espécie de “ameaça” vinda de uma ideologia anti-classe.
O comunismo, por sua vez, muda de definição ao longo do tempo, apesar de ser uma ideologia ramificada do socialismo. Foi primeiramente usado em 1840 por organizações secretas da classe trabalhadora francesa para evitar repressão do Estado, uma altura em que era ilegal formar sindicatos. Espalhou-se rapidamente para outras regiões, sendo estas a Alemanha, os Estados Unidos e a Inglaterra, definindo-o como uma sociedade baseada em propriedade comunal. Nesta altura, a sua definição não se distinguia muito do socialismo e só foi associado a um filósofo francês chamado Étienne Cabet. No mesmo ano, em 1840, escreve um livro utópico, “Voyage En Icarie” onde mais tarde influenciará um dos mais maiores nomes associados ao termo de hoje em dia: Karl Marx. Ele, conjuntamente com o Engels, envolvem-se em vários grupos de trabalhadores comunistas, rejeitando o republicanismo e adotando o comunismo. Com isto, desenvolveram a sua própria definição de comunismo e que se distingue pelo resto da ideologia socialista. Eles definem o comunismo como uma sociedade anti-estado, anti-classe e anti-económica, baseada em posse comum de produção e de propriedade, em planos democráticos da economia através de um sistema de assembleia geral e num fim de uma divisão rígida de trabalho para que o povo poça ter um experiência ambrangente em várias áreas. O mais importante para Marx era a ideia de que comunismo era uma sociedade livre, então ele descreveu o comunismo como “uma associação de um povo livre” e ele pensou que uma sociedade comunista era aquela em que o livre desenvolvimento de um indivíduo forma a regra principal. Ele acreditava na liberdadae do indivíduo e o comunismo é uma sociedade que garante a liberdade do indivíduo entre uma associação livre. Muitas pessoas de hoje pensam que o comunismo é um perigo para a sociedade, devido a exemplos de situações e países totalitários tais como a Guerra Fria, a União Soviética e da Republica Popular da China, quando, na verdade, nunca seguiram definição de comunismo por Marx.
Tendo em conta a vitória do presidente Donald Trump nos candidatos Norte-Americanos em 2016, o impulso do capitalismo e do ódio contra comunidades em minoria, a pressão política que a sociedade sofre com a situação pandémica do COVID-19, cancel culture, e do fácil fluxo de informação e notícias através da introdução da internet, acho que é possível perceber a preocupação política dos jovens desta geração e desta mudança anti-capitalista.
Na minha opinião, acho extremamente importante participar em ativismo e estudar política e a sua verdadeira História para perceber se a nossa realidade poderia ser melhor do que está e estou orgulhoso de pertencer a uma geração que se esforça nesse aspeto.

Relações diferentes entre nós e os animais

 Os animais são considerados diferentes do ser humano em vários aspetos, apesar de existirem mais semelhanças do que características opostas, mas com cada espécie criamos relações diferentes e até mesmo com cada animal, porque tal como as pessoas cada um tem as suas qualidades, a sua personalidade e compatibilidade connosco. Daí muitos deles serem considerados os nossos melhores amigos e membros da família e só mesmo quem cria estas relações é que sabe como é difícil a despedida deles.

Em todo o meu crescimento eu partilhei a minha vida com diversos animais, muitos deles cresceram comigo, e a oposição referida pode ser muito bem explicada com os dois cães: O Traquinas e o Panado.

O Traquinas foi o meu cão de infância, apareceu em nossa cada com 3 mesinhos quando eu apenas tinha os meus 6 meses, cresceu comigo como o meu melhor amigo, eramos as “crianças” da casa, os membros a serem mais tratados e protegidos. Tinha todas as minhas aventuras com ele e era o meu fiel companheiro, guardo com ele todas essas memórias.

Panado, é o meu cão atual, com os seus atuais 2 anos. Apesar de ambos serem da mesma espécie e “meus”, estabeleceram comigo relações diferentes, amores que não são comparados em quantidades. Com o Traquinas eu era apenas uma criança, não compreendia as responsabilidades de ter um animal de estimação nem era responsável por isso, ele era mesmo o meu melhor amigo, e a despedida dele considero ainda um dos momentos mais duros que tive de passar, como é que era suposto estar sem aquele ser tão único, tão fiel a mim? E como ele nunca haverá nenhum, porque como assim não é possível substituir pessoas, não é possível fazer o mesmo com os nossos amigos de 4 patas, todos são tão especiais. Anos mais tarde surgiu o Panado, eu desejei-o e ao contrário do Traquinas eu tenho de cuidar dele, tenho responsabilidades, não o vejo numa relação no mesmo patamar de inocência que eu, tenho de proteger, como a relação de progenitor e cria, mãe e filho e esse amor é muito forte, ele também é único. Ambos com personalidades tão distintas, em momentos muito opostos, mas com relações bastante fortes e marcantes.

Isto acontece com os nossos animais de estimação, mas também com os que vão cruzando connosco no nosso mundo, tal como as pessoas vão nos marcar de maneira diferente. Podemos ver o mundo de maneira oposta deles, talvez não temos todos tanto pelo ou escamas ,mas se criamos estas relações entre espécies ,também eles são seres sencientes ,que merecem ser respeitados e ter os seus direitos. Merecem ter a sua passagem no mundo de maneira natural ,e se achamos que temos essa superioridade de inteligência, é nosso dever dar-lhes as melhores condições para tal.

segunda-feira, 7 de junho de 2021

Sou?

Ser ou não ser. Já não sei bem a quem cabe essa questão. Durante muitos anos achei que fosse a mim, mas sempre com as minhas dúvidas por mais pequenas que fossem, mas desde que ouvi a frase: "Uma pintura apenas passa a ser obra de arte se assim for considerada pela maioria da sociedade" que o assunto rodopia na minha cabeça. Eu posso definir-me, mas o que realmente conta é como os outros me definem, pois é de acordo com isso que vou viver. Posso querer muito definir-me como extrovertida e social, mas as pessoas que sempre me viram como tímida não vão parar de me tratar como tal. Sendo assim, vou ser sempre tímida mesmo que fale com cada estrangeiro que encontre na baixa ou qualquer pessoa meio perdida na faculdade. Neste caso, a opinião destas pessoas deve-se ao que estão habituadas a ver e não é por poucas ocasiões (na sua perspetiva) que a vão mudar. 

Existem várias situações deste tipo, consigo enumerar pelo menos mais duas: o oposto da explicada acima, ou seja, fiz algo diferente UMA vez e fica marcado e o nunca fiz e por alguma razão ficou marcado.

São ambos destinos infelizes, aliás são os três, o único feliz é aquele em que realmente nos veem pelo que queremos (é comum em alguns casos, mas não muito na minha experiência).

É frustrante e doloroso, como uma comichão impossível de encontrar e saciar, tentar convencer alguém (incluindo nós próprios) de que somos algo. Podemos pôr todo o nosso ser nas nossas palavras e isso só nos vai magoar mais, porque a única forma de provar é mostrar e isso demora mais tempo do que o que seria desejável, mais tempo a sofrer.

No último caso, o que a sociedade pensa e impõe pode mesmo chegar a ser o que nos confunde mais e ainda se tornar a nossa nova realidade, a nossa nova luta por aceitar, luta esta que consegue quebrar-nos e em vez de ser só travada no exterior com os outros passa também a ser no interior connosco. Sou calada? Sou frágil? Sou maria-rapaz? Não sou sociável? Não sou desportiva? Não sou feminina? Sou bem-sucedida e perfeita? Sou fraca e escolho o caminho mais fácil?

A resposta a estas e a mais perguntas parece que nunca dependeu de mim. Posso ser bem-sucedida…, mas errei uma vez e já não o sou. Exemplo real, chumbei num exame. Nunca chumbei a nenhuma cadeira no curso todo, orgulho-me muito disso, e os meus pais também, mas agora de repente, já não faço o suficiente e o ambiente ficou tenso, já não sou o que era. Uma vez. 

Sou de confiança se os outros assim me virem, sou boa aluna se os outros assim me virem. Sou eu se os outros assim me virem. 

Eu, apesar dos meus esforços por independência, nunca vou conseguir escapar a esta força que me puxa para uma caixa com um rótulo bonito com a minha descrição. Solução? Posso viver na ignorância, até gosto deste tipo de ignorância, faz-me feliz. 

sábado, 5 de junho de 2021

Produtos de Alienação

Sempre pensei em mim como alguém com gostos diferentes dos que me rodeiam. Sempre pensei que tive a sorte de nascer assim, o oposto de alguém que eu acharia convencional. E sempre pensei em como eu sou diferente das pessoas, que já são diferentes umas das outras só por existir, seja em traços físicos ou psicológicos.

Mas houve sempre uma questão que nunca saiu da minha cabeça até hoje. Eu “nasci” assim ou sou mais um produto de alienação?

Ou seja, quando eu penso neste assunto eu refiro-me ao facto de me perguntar frequentemente se eu sigo mesmo os meus próprios gostos e se sou o que ambiciono ser (se tenho livre arbítrio), ou se apenas sigo o que a “categoria” a que eu quero pertencer me dita. Então, os meus gostos seriam sempre, subconscientemente, moldados pelo que essa categoria me dá a consumir.


Gostava de acreditar que todas as minhas ações são conduzidas pelo meu livre arbítrio e não pelo que me foi dado a consumir ao longo dos anos, sendo que os meus gostos são partilhados em minoria, embora a maioria dos seres humanos tenham igual acesso ao que me foi apresentado.

A minha mente acredita que ter um “bom gosto”, por exemplo, musical inclui ter um vasto conhecimento de géneros músicais, ter gosto em ouvir música bastante diversificada,que não seja apenas mais uma obra do consumismo, por exemplo, música de Youtubers famosos, como forma de ganhar ainda mais dinheiro, sem apresentarem qualquer tipo de qualidade ou mero esforço.

O facto de eu ouvir e apoiar artistas menos conhecidos e com uma qualidade musical extraordinariamente meritória faz-me acreditar, sim, que tenho gostos destacáveis dos demais.


A verdade é que até agora ainda não arranjei a resposta para nenhuma das questões colocadas anteriormente. Talvez seja formada por gostos pessoais, o que eu aprendi vivendo nesta sociedade e a minha luta para a contrariar.


terça-feira, 25 de maio de 2021

O mundo da distração, o mundo idealizado, das novelas e filmes

   Eu sou uma grande fã de romance, leio histórias em livros, vejo-as em filmes e novelas, — de todos os géneros de livros que gosto, romance, fantasia, ação, são os meus favoritos — estes ajudam a distrair e vaguear por mundos imaginários idealizados pelos autores.

   Em todas as histórias de romance que já li, apesar de serem diversas em vários parâmetros, há  uma coisa que acontece em quase todas elas: no momento em que as personagens principais se encontrão entre milhões de outras pessoas e ambos sentem algo. 

   Apesar de saber que na realidade as coisas não são assim há sempre uma parte de nós que vagueia pelas ruas desse mundo idealizado e que espera que alguém igualmente nos encontre no meio de milhares de milhões de opções e nos escolha, pois todos nós pensamos em nós mesmos com a personagem principal da nossa história — o que de certa forma é verdade —, mas não podemos esquecer que isso não é o mesmo para as histórias das outras pessoas. 

   Para fazermos parte das histórias uns dos outros devemos interagir, em vez de ficar a espera sentados.


sexta-feira, 21 de maio de 2021

Julgamentos Morais

Foi há menos de um ano que li um livro chamado “The Righteous Mind”, um dos temas abordados foi a maneira de nós, seres humanos, realizarmos julgamentos morais. 

Segundo é narrado, ocorreram experiências em ambiente académico com intuito de corroborar a defesa de Hume em relação ao empirismo ao invés de ideias como as de Platão e o racionalismo. É apresentada a ideia de os nossos julgamentos morais basearem-se nas nossas emoções seguidas de uma explicação lógica para a mesmas, intuições em primeiro lugar, razão em segundo.

Um dos exemplos de uma pergunta realizada aos entrevistados foi a de um cenário hipotético onde dois irmãos tinham relações sexuais apenas por curiosidade, uma única vez, onde ambos usavam métodos contracetivos. Muitos dos inquiridos acharam moralmente errado, mas também não sabiam explicar porquê, recorrendo em última instância aos argumentos com raiz religiosa.

Outro exemplo bastante interessante aquando deste tipo de perguntas, foi um grupo de inquiridos ter de responder de imediato à pergunta e o outro grupo tinha que fazer uma pausa de alguns segundos antes de responder. Observou-se assim uma maior reflexão e aceitação por parte do segundo grupo enquanto no primeiro houve uma maior percentagem de rejeição quando leu a pergunta o tipo de perguntas descritas em cima.

Não consigo não associar este exemplo ao tema da legalização da Cannabis. Ao longo dos tempos, quando tenho conversas sobre este tema, sinto que há uma enorme rejeição sem as próprias pessoas saberem ao certo o porquê deste sentimento. Especialmente quando as pessoas dão respostas quase instantâneas a este tema e há pouca argumentação que corrobore a sua posição.

Parece-me também haver sobretudo muito falta de informação e um conjunto de sentimentos associados a este tema que desperta o medo por parte das pessoas. Além da falta de informação é criada também uma imagem errada gerada a partir, por exemplo, da comunicação social ou da indústria do entretenimento. Ao associar a planta Cannabis com as restantes drogas, podemos esperar que uma boa parte das pessoas que não tenha interesse em pesquisar de uma forma mais aprofundada sobre o tema, associe a planta a toda a violência e mortes resultantes das mesmas.

É também sabido que existem possíveis efeitos secundários negativos do uso excessivo da Cannabis como o agravamento da depressão ou a desmotivação. 

Por outro lado, sabemos que apresenta muitos benefícios no tratamento de Parkinson, epilepsia, ansiedade, hiperatividade ou como amenizadora dos efeitos da quimioterapia. 

Desde 2001 que Portugal é considerado por muitos países um exemplo no toca a lidar com o tema das drogas, desde a descriminalização da posse para consumo, até a deixar de tratar os toxicodependentes como criminosos e ajudá-los superar o vício. A legalização da Cannabis iria com grande probabilidade diminuir o tráfico de droga e a violência gerada à volta do mesmo. 

Ao mesmo tempo Portugal conta com excelentes condições meteorológicas e geográficas para a plantação da planta. Seria bastante positivo do ponto de vista económico, por exemplo, na criação de emprego ou no aumento da população no interior do país. O aumento do consumo de Cannabis é bastante elevado nos últimos anos, e as pessoas que a consomem não a adquirem ao ir a uma loja e muitas vezes não sabem se estão a comprar um produto que possa conter substâncias nocivas para a saúde. Uma regulamentação na qualidade e, por exemplo, nos níveis de THC, ajudariam a reduzir estes problemas dos consumidores.

Não acho que baste apenas legalizar a Cannabis, é necessário continuar a procurar e resolver os problemas associados à dependência, ao consumo por menores que muitas vezes é o ponto de entrada para o mundo da economia paralela, bem como a situação social que origina estes problemas.

O mais importante a reter, na minha opinião, é que existem bastantes temas na nossa sociedade em que as pessoas têm uma opinião pré formada sem que nunca se tenham debruçado sobre os seus “porquês” e muitas vezes estas ideias são baseadas nas vivências e no percurso de cada um de nós.  É de extrema importância que as pessoas se questionem, que tentem perceber o porquê e que continuem sempre a aprender, só assim evoluiremos como sociedade.